Paróquia de origem medieval, Navais foi, ao longo da sua história, uma freguesia com identidade própria e bem definida. Identificada documentalmente desde a Idade Média, Navais reafirma, em 2025, o seu estatuto de freguesia autónoma, recuperando uma condição que marcou profundamente a sua organização administrativa e comunitária ao longo dos séculos.
As primeiras referências conhecidas surgem no século IX, com a designação De Nabales. Estas terras encontram-se igualmente documentadas no Censual Bracarense do século XI. Nas Inquirições de 1220 e 1258, Navais surge mencionada como Sancti Salvatoris de Nabaes, confirmando a sua importância religiosa e territorial no período medieval.
A paróquia já existia em 1080. Nas Inquirições de Afonso III, refere-se que o pároco de Nabais era clérigo da rainha D. Brites, segunda esposa do rei e mãe de D. Dinis. Quanto à grafia do topónimo, apenas no início do século XVI se fixa a forma Navais, coexistindo durante algum tempo com a designação anterior, Nabais.
Até 1836, Navais pertenceu ao concelho de Barcelos, transitando nesse ano para o concelho da Póvoa de Varzim. Até 1933, a atual vila de Aguçadoura integrava o território de Navais, sendo nesse ano criada a freguesia de Aguçadoura, através da separação administrativa entre ambas. Em 2013, no âmbito da reforma administrativa nacional, Navais perdeu temporariamente o estatuto de freguesia autónoma, sendo agregada à freguesia vizinha de Aguçadoura. Em 2025, essa situação é revertida, com a restauração da Freguesia de Navais, reafirmando a sua identidade histórica e administrativa.
Do património local destaca-se a Fonte da Moura Encantada, uma fonte antiga, de origem remota, associada a lendas e tradições populares. Outrora, a sua água era utilizada em celebrações religiosas, sendo-lhe atribuídas virtudes mágicas pelo povo, que falava de bois de ouro, bruxas e encantamentos noturnos. A fonte localiza-se a algumas dezenas de metros abaixo do outeiro do antigo Castro de Navais, um povoado castrejo. Trata-se de uma estrutura antiga, claramente romanizada, que se supõe ter sido utilizada já na época castreja, associada à divindade pagã da Moura Encantada e não ao povo mouro.
O associativismo tem desempenhado um papel central na vida social, cultural e desportiva da freguesia. Para além do reconhecido Grupo Folclórico “Os Camponeses de Navais”, fundado em 1983 e dedicado à preservação rigorosa dos usos, costumes, trajes, danças e cantares tradicionais de Navais e da Póvoa de Varzim, destaca-se igualmente o Centro Desportivo e Cultural de Navais, coletividade de referência no dinamismo comunitário local.
O Centro Desportivo e Cultural de Navais tem sido, ao longo dos anos, um importante espaço de promoção do desporto, da cultura e da convivência entre gerações, contribuindo de forma decisiva para a coesão social da freguesia. Entre as figuras mais emblemáticas associadas a esta coletividade encontra-se Manuel Ramos Zeferino, sócio número 1, atleta de reconhecido mérito nacional e vencedor da Volta a Portugal em bicicleta, cujo percurso desportivo constitui motivo de orgulho para Navais e para o concelho da Póvoa de Varzim.
Navais é, assim, uma freguesia com um passado rico e uma identidade bem afirmada, que honra a sua história, valoriza as suas instituições e as suas gentes, e projeta o futuro com base no património, na cultura e na memória coletiva da sua comunidade.
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